Se a seletividade é a "primeira linha de defesa" contra blecautes e incêndios, a análise cromatográfica (DGA - Dissolved Gas Analysis) é a ferramenta preditiva mais poderosa para garantir a longevidade dos transformadores, que são o coração da cabine primária.
Assim como um exame de sangue revela alterações no organismo antes do surgimento de sintomas, a análise cromatográfica permite identificar falhas internas em transformadores ainda em estágio inicial — antes que evoluam para eventos críticos.
O que é e como é feita?
A análise cromatográfica é um ensaio laboratorial que identifica e quantifica gases dissolvidos no óleo isolante do transformador. O processo consiste na coleta de uma amostra de óleo diretamente do equipamento em operação, seguida pela extração e separação dos gases em um cromatógrafo de fase gasosa.
Por que ela é indispensável?
Transformadores estão sujeitos a estresses térmicos e elétricos. Quando ocorrem falhas, o óleo isolante e o papel celulósico sofrem degradação térmica e/ou elétrica, gerando subprodutos gasosos característicos.
Detectar esses gases precocemente permite:
- Prevenção de Explosões: Identificar falhas internas antes que causem uma pressão catastrófica
- Redução de Custos: Programar reparos simples em vez de substituições completas do ativo
- Continuidade de Serviço: Evitar paradas não programadas que afetam toda a planta industrial
O que é possível detectar?
A presença e a proporção entre gases como Hidrogênio (H₂), Metano (CH₄), Etileno (C₂H₄) e Acetileno (C₂H₂) permitem diagnosticar diferentes tipos de falhas internas:
Como esses dados são interpretados?
A análise não se limita à presença isolada dos gases, mas à sua relação e evolução ao longo do tempo. Métodos consagrados, como as Relações de Rogers e os Triângulos de Duval, permitem classificar com precisão o tipo de falha, transformando dados laboratoriais em diagnósticos acionáveis para tomada de decisão.
Normas Aplicáveis e Recomendações
Para garantir a confiabilidade dos resultados e a segurança jurídica (evitando responsabilizações civis e criminais em caso de acidentes), devem ser seguidas as seguintes normas:
- ABNT NBR 7274: Guia para interpretação de gases dissolvidos
- ABNT NBR 7070: Guia para amostragem de gases e óleos
- ABNT NBR 10576: Diretrizes para acompanhamento de óleos minerais isolantes em equipamentos elétricos
Recomendações de Manutenção
- Periodicidade: Realize a análise cromatográfica no mínimo anualmente. Para equipamentos críticos ou com histórico de sobrecarga, reduza o intervalo para 6 meses.
- Histórico: Mantenha um banco de dados com os resultados. A tendência de evolução dos gases é mais importante do que um valor isolado.
- Treinamento: Certifique-se de que a equipe de operação saiba interpretar os relatórios para tomar ações corretivas rápidas e seguras.
Uma gestão eficiente da infraestrutura elétrica exige que o estudo de seletividade esteja atualizado e que a saúde interna dos transformadores seja monitorada continuamente.
A prevenção não é uma escolha operacional — é uma decisão estratégica.
Stanley César Pasternak de Oliveira
Coordenador Técnico | Engenheiro Eletricista | Automação Industrial | Indústria 4.0 | EHS
