No último artigo iniciamos uma nova série, dessa vez falando sobre automação e como sua utilização, seja aplicação mecanizada em máquinas ou na integração dos dados em sistemas Ti e TA, traz diversos benefícios para a indústria, incluindo redução de custos, aumento da produtividade, melhoria da qualidade dos produtos, aumento da segurança e redução de erros e falhas.
Nesse artigo, vamos abordar diretrizes normativas para o desenvolvimento de projetos. Obviamente não iremos transcrever aqui todas as normas aplicáveis, nossa ideia é direcionar nossos leitores na busca pelas informações corretas para as particularidades de seus projetos.
Falar ou escrever sobre automação não é uma tarefa simples, esse tema traz um universo de possibilidades. Portanto, para uma visão macro, abordaremos normas de padronização e segurança em projetos de automação em aplicação stand alone, que são mais comuns ao chão de fábrica, e, em outro tópico falamos sobre normas para integração em aplicação de projetos de automação integrada.
Aplicações stand alone (Máquinas):
Por todas as fábricas que passamos há sempre oportunidades de melhorar processos de manufatura e, em geral, os times de engenharia e manutenção ficam responsáveis em trazer soluções para aprimorar o desempenho dos equipamentos.
Nesse contexto, é importante saber o que determinam as “autoridades” no setor:
- A ISA (International Society of Automation), por exemplo, é uma organização que estabelece normas para a aplicação da automação em parques industriais. Uma das normas mais importantes da ISA para a automação de chão de fábrica é a norma ISA 88, que trata da modelagem de processos de bateladas de produção. Podemos citar também a ISA 101, que estabelece diretrizes para projetos com interface homem-máquina (IHM) a fim de tornar a operação mais intuitiva e segura. Outra norma importante da ISA para a aplicação da automação de chão de fábrica é a ISA 84, que trata dos sistemas de instrumentação e controle de segurança.
- As NBRs (Normas Brasileiras) também são importantes para a aplicação da automação de unidades fabris. A NBR 14153, por exemplo, estabelece diretrizes para a implementação de sistemas de segurança na automação industrial. Essa norma é fundamental para garantir a integridade física dos operadores e dos equipamentos.
- As NRs 12, 10, entre outras, que estabelecem os critérios de segurança em instalações e condições de operação de máquinas (Abordaremos a aplicação dessas normas posteriormente, em postagens específicas).
- No geral, o mais importante para a concepção de um bom projeto é ter um parceiro preparado para entregar uma solução normatizada, que de fato entregue robustez na solução.
Aplicações integradas (Processos):
Uma aplicação de automação industrial integrada é obtida por uma série de sistemas de controle e monitoramento de processos industriais que utilizam tecnologias e componentes interconectados por rede, cabeada ou não, permitindo que os sistemas “conversem” entre si. Em geral ao desenvolver projetos com essas características o sistema se torna capaz de executar tarefas e processos de forma integrada e coordenada, praticamente zerando as possibilidades de erros operacionais.
Uma pergunta que gosto de fazer nesses casos é: você tem um controle remoto interativo ou um processo automatizado? Não é incomum ver sistemas de supervisório onde o operador tem o controle das ações, digitando inclusive set-points de processo e PCPs dando baixa em consumível. Quando falamos de aplicações integradas, é necessário subir o nível.
Do mesmo modo que é feito em aplicações menores, é importante saber no que se apoiar para desenvolver essas soluções. Veja o que abordam os órgãos competentes do setor:
- ISO 27001: Norma da International Organization for Standardization (ISO) que estabelece requisitos para gestão da segurança da informação, incluindo a integração de sistemas de automação e TI;
- IEC 61131 (International Electrotechnical Commission): é uma norma que estabelece um padrão para a programação de controladores lógicos programáveis (CLPs). A norma define uma linguagem de programação padronizada para os CLPs, permitindo a integração e a comunicação entre diferentes dispositivos de automação.
- ISO 15745 (International Organization for Standardization): é uma norma que define um modelo de informação para sistemas de automação industrial. A norma fornece um framework para a troca de informações entre sistemas de automação, permitindo a integração de dados e a interoperabilidade entre diferentes plataformas e dispositivos.
- ISA-95 (International Society of Automation-95): Esta norma é uma das mais importantes e estabelece um modelo de referência para integração de sistemas de automação e de informações em ambientes industriais. A norma fornece um framework para a integração de processos de produção com sistemas de TI, permitindo a comunicação e o gerenciamento de dados de forma padronizada.
- ISA-88 (International Society of Automation-88): Esta norma estabelece um modelo de referência para a automação de processos de produção em lotes (batch). A norma fornece um framework para o desenvolvimento de sistemas de automação de produção em lotes, permitindo a integração e a comunicação entre diferentes dispositivos de automação.
- ISA-99 (International Society of Automation-99): Esta norma define um conjunto de requisitos para segurança cibernética em sistemas de automação industrial. A norma estabelece um framework para proteção de informações e sistemas de automação contra ameaças cibernéticas, permitindo a integração segura entre sistemas de TI e TA.
A integração de TI e TA traz desafios específicos de segurança. Os sistemas de automação de produção estão se tornando cada vez mais interconectados, o que significa que um único ponto de falha pode ter um efeito cascata em toda a rede. A negligência na segurança da informação pode ser catastrófica, levando a perda de dados, continuidade de produção, ameaças à propriedade intelectual e até mesmo acidentes graves. Um exemplo de falha de segurança que afetou a indústria ocorreu em 2017, quando um ataque de ransomware atingiu a empresa de logística Maersk. O ataque teve impacto em todo o mundo, interrompendo as operações e custando milhões de dólares em perdas financeiras à empresa. Além disso, as empresas podem ter que enfrentar questionamentos legais e multas se não cumprirem as regulamentações de segurança cibernética, como a LGPD e outras legislações específicas do setor. (Oportunamente vamos dedicar todo um artigo sobre cibersegurança).
O conhecimento sobre essas normas não esgotarão o tema de automação, existem outras que também são aplicáveis dependendo da demanda e do projeto de cada cliente. É importante sempre estar atento às tecnologias já consagradas e como a aplicação delas pode beneficiar nossa indústria. Nas próximas postagens vamos trazer alguns cases que a Máxima entregou ao mercado.
Renato Buttini
Diretor da Máxima Serviços Industriais